Um blogue que se escreve com 'gue'. Um humor à altura. || Digam coisas e assim ||
sábado, julho 30
O cheiro a pólvora pela manhã
«(Entram em cena dois chineses em silêncio.) A MULTIDÃO: Olha! Japoneses! Até japoneses há em Viena! Devia-se era enforcar essa canalha pelos carrapitos! UM: Deixem-nos ir! Eles são mas é chineses! UM SEGUNDO: Quem tem cara de chinês és tu! O PRIMEIRO: Olha quem fala! UM TERCEIRO: Todos os chineses são japoneses! UM QUARTO: Quer dizer que você é japonês. O TERCEIRO: Ná. O QUARTO: Estás a ver, mas está-se a pôr com chinesices!» Karl Kraus - Os últimos dias da Humanidade (Ed. Antígona; Trad. António Sousa Ribeiro)
Ranking universitário de Sousa Lobo contestado por prostitutas
Estalou a polémica em torno do ranking de universidades públicas. De acordo com o estudo de Sousa Lobo, a Universidade de Aveiro lidera a investigação universitária em Portugal com 1,5 artigos publicados no estrangeiro por cada professor da instituição. O problema é que esse indicador está fundamentado no Institute for Scientific Information, que subrepresenta a produção em ciências sociais. Para isso mesmo alertou o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, numa contestação que foi de imediato secundada por dirigentes da Universidade-da-Vida. Em conferência de imprensa, quatro representantes daquela instituição (duas prostitutas moldavas, uma brasileira e um preservativo com estrias) referiram que o estudo «é pouco inovador» e prejudica a verdadeira dimensão de actividade dos seus investigadores, «que vai muito além do fellatio e da posição de missionário, práticas muito pouco competitivas nestes tempos de globalização». Segundo Natasha Ivanova, com 23 anos rijinhos, os programas da Universidade-da-Vida são cada vez mais completos e diversificados, adaptando-se «aos desafios propostos por Bolonha», a estágios de clubes de futebol e a acampamentos de escuteiros. Esclarecidas as reservas ao ranking, a conferência de imprensa acabou com a notícia de um pacote de descontos numa casa de alterne em Tui, prometendo-se a devolução do IVA em talões de desconto para o fim-de-semana seguinte. Mas que podem também ser trocados por vibradores em segunda mão.
Esquimós revoltados com o processo de recrutamento
A nova estação científica britânica na Antárctida, a Halley VI, vai mover-se sobre esquis para minimizar o impacto no ecossistema. Pelo mesmo motivo, já foram contratados cinco pinguins para operações de navegação.
«Madeira és livre/ e livre serás/ cobiça mais linda/ no mundo não há»
O Público de ontem titulava a toda a página: «Jardim bebeu 31 copos para festejar PSD-Madeira». O impacto noticioso seria diminuto caso não soubéssemos que o 'líder madeirense', como os jornais gostam de dizer, esteve mais sóbrio do que quando ingere um galão e uma torrada.
Gabardina em dia de sol, mochila às costas, fuga à polícia
O dr. rotwang está a colocar as leituras em dia e assomam-lhe algumas perplexidades. Nota-se, por exemplo, que a generalidade da imprensa reproduz que o homem morto pela polícia no metro de Londres «era brasileiro». Uma informação excedentária, quando o mais importante é que ele era mesmo terrivelmente estúpido.
Medusas (jellyfish! jellyfish!), muitas. Uma picada-mordida no testículo esquerdo do dr. rotwang. Três injecções nas nádegas. Pomadinha Prurex no inchaço.
Durante as próximas duas semanas, o dr. rotwang vai estar fora do escritório, em gozo de férias. Alguns dias a águas termais, por via de uma persistente artrite que urge tratar. Uma visita sempre adiada - e agora finalmente possível - ao ramo da família emigrado na Nova Zelândia. E ainda, no regresso dos antípodas, um pequeno cruzeiro mediterrânico, que ganhou num sorteio e deve realizar sob pena de perder o direito ao prémio. Por isso, os próximos posts serão um tanto espaçados, ao sabor dos cibercafés localizáveis, da boa-vontade dos tios e da simpatia do comandante do navio. Até breve!
Escreve ontem o Diário de Notícias da Madeira que «há muita homossexualidade 'camuflada' na região». É sempre triste, claro. Mas para o dr. rotwang o pior continuará a ser a homossexualidade visível.
«Desaparafusa-me o coração e deixa-o vazio.» «Por ti, desaperto os atacadores.» «Quando ris és uma artéria sem placas toponímicas.» «O teu rabinho lembra-me o Meat Loaf.» «Cheiro-tracinho-te e fico logo aliviado da rinite alérgica.» «Esquece tudo e vem comigo a um concerto do Júlio Pereira.» «Amo-te tanto que já perdi um botão e três autocarros.» «Longe de ti tenho sonhos eróticos com a Fátima Felgueiras.» «Diz-me que queres partilhar comigo uma sandes de manteiga de amendoim com aipo, tomate, pepino e mozarella, em pão de três cereais.»
Parece que o aumento do IVA vai inverter as perspectivas de crescimento do sector automóvel em Portugal e reduzir as vendas de ligeiros em 3% até ao final deste ano. Em contrapartida, a indústria de trotinetes com bateria eléctrica já reforçou a sua produção.
Tão cíclico como o fastio da queca semanal após trinta anos de casamento, Alberto João Jardim voltou a insuflar hélio para os jornais. Desta vez atirou-se aos indianos e aos chineses. Sobretudo aos chineses. O que é curioso em alguém que já há muito tempo decidiu substituir os seus neurónios por recheio de porco com amêndoas e bambú.
Na SIC-Notícias, uma peça sobre a cimeira G8 na Escócia. Daí salta-se para a pobreza e para a necessidade de perdoar a dívida do outro hemisfério. O caso de Angola, com imagens-choque e uma voz a marcar o ritmo:
«[...] a dívida externa estrangula este país, com milhões de pessoas a viverem na miséria e onde uma em cada quatro crianças morre antes de completar cinco anos de idade».
Os jornalistas, acredita o dr. rotwang há alguns anos, ou são estúpidos ou são todos filiados no MPLA.
Inconveniente actuar a solo, como faz o dr. rotwang. Desgasta muito. Encontrar alguém que nos compreenda e com quem possamos partilhar a vida blogueira.
Ontem foi dia de Live 8 e uma rifinha de humanidade voluntarista foi ver e ouvir música pós-engaged para combater a pobreza em África e outros males endémicos. Talvez não compreendam que podem ser activistas light de causas-manchete precisamente porque os outros são a face outra dessa parte do mundo, mas também não é provável que leiam este post.
Anda tudo com a testosterona nos píncaros porque o relatório Constâncio tinha uma gralha. Burgessos. O deficit não é de 6.83%, mas sim de 6.73%. E todos sabemos que 0.1% são, digamos, 0.1%. É quase um superavit se a isso somarmos 6.83%. Porque afinal tudo não passou de um imenso estudo experimental dirigido por António Barreto e patrocinado pelas batatas fritas Matutano com sabor a chouriço curado, comprovando cientificamente que os portugueses não são viáveis. Observa-se nas conclusões redigidas por Elsa Raposo:
«Quando Eduardo Lourenço escreveu sobre a psicanálise mítica do destino português no Labirinto da Saudade, procurou uma imagologia heterodoxa sobre o nosso ser colectivo. Claro que aguentar 48 anos de Estado Novo é já representativo de um povo que não difere muito dos primatas que vivem em Lisboa na aldeia dos macacos. Mas se tivermos em conta os últimos três meses, a tese torna-se plenamente robusta. Lamentamos muito, mas Portugal não passou de uma ideia infeliz e vai-se auto-dissipar na Lux em 30 segundos».
A gralha que desmascarou o chinó de Victor Constâncio coloca em causa toda a lógica de poupança dos portugueses. O rendimento social de inserção pode voltar a ser canalizado para a criação de riqueza. Apostas múltiplas no Euromilhões, por exemplo.